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Onde se cruzam as teorias espíritas e científicas quanto às nossas origens?

Esta é primeira parte do artigo escrito por Ednei Procópio, sobre Ufologia e Espiritualidade, originalmente publicado pela revista UFO em sua edição 239 (Outubro de 2016)

Onde se cruzam as teorias espíritas e científicas quanto às nossas origens?

Por Ednei Procópio

Ciência e espiritualidade convergem cada vez mais ao definirem em que momento a raça humana teve seu alvorecer neste planeta

Nosso Sistema Solar está em pleno movimento, rodando em círculos no espaço, em uma gigantesca galáxia. Assim como acontece com o Sol, é quase que uma regra, talvez em si uma lei,que praticamente todas as estrelas do universo possuam planetas circulando em suas órbitas. Pesquisas indicam que, somente na Via Láctea, talvez existam cerca de 200 bilhões de estrelas, das quais pelo menos 6 bilhões mantenham sistemas planetários semelhantes ao nosso Sistema Solar.

A Via Láctea, porém, é apenas uma das 125 bilhões de galáxias que formam o universo visível. E além deste limite, porém, o homem não faz a mínima ideia do que possa existir. Em um gigantesco cenário não só imaginado, mas previsto e comprovado, vimos tentando compreender uma interessante teoria sobre a origem da humanidade, que defende a ideia de que a origem de nossa espécie estaria ligada a ancestrais que teriam migrado dos confins do universo, de planetas distantes, ou até mesmo próximos, quem sabe, para povoar a Terra com uma nova ordem de raça humana.

Já trataram desse assunto algumas obras literárias, como Eram os Deuses Astronautas? [Melhoramentos, 1969], do suíço Erich von Däniken, e O Décimo Segundo Planeta [Best Seller, 1976], de Zecharia Sitchin. Esses dois livros, em especial, nos ensinam a ver as histórias, cenários e personagens da Bíblia, por exemplo, por um novo prisma, uma ótica científica ou arqueológica que nos faz crer ainda mais nas palavras contidas principalmente nos dois primeiros livros, Gênesis e Êxodo, do Antigo Testamento.

Um estudo caro e difícil

Os livros do linguista Zecharia Sitchin, em específico, propõem um ponto comum na divergência que parecia haver entre a Teoria Criacionista — fortalecida através dos tempos não só pelo mito de Moisés ao seu povo, mas por vários outros povos do planeta, por meio igualmente de mitos — e uma tese ainda mais recente, a Teoria Evolucionista, promulgada e finalmente divulgada por Charles Darwin, com a publicação da obra A Origem das Espécies [1859].

Para buscar compreender mais a fundo esse assunto, precisamos pesquisar, também, livros das áreas de religiosidade e espiritualidade, não deixando de lado fontes mais respeitadas, digamos, vindas da história, filosofia e, claro, astrofísica, astrobiologia e arqueologia — essa última ciência, a mais atrativa de se estudar é, porém, a mais difícil de se acessar por conta de custos literalmente estratosféricos envolvidos.

A teoria proposta neste artigo envolve, para que possa ser detalhadamente comprovada, muitos campos do conhecimento, muita pesquisa e investimento em recursos humanos e materiais. E ainda que seja realmente difícil comprová-la, algo nela parece fazer muito sentido, chama a atenção e nos fascina. Mesmo assim, temos consciência de que é importante sempre pesquisar mais sobre o tema para não se cair no erro da má interpretação. Dito isso, vamos começar pela parte mais difícil, principalmente para as pessoas mais céticas, que é a parte espiritual de nossa teoria.

Onde se cruzam as teorias espíritas e científicas quanto às nossas origens?

O linguista, pesquisador e autor Zecharia Sitchin, com seu trabalho de tradução das tábuas sumérias, deu origem à teoria dos anunnaki (Crédito da imagem: The New York Times)

Segundo espíritos

Quando se tem acesso à ideia de que a espécie humana teria sua origem não no espaço infinito ou em um local indefinido, mas em algum ponto específico no universo, que não o planeta Terra, uma das perguntas que nos fazemos é: “O que diria o Espiritismo sobre o tema?” Antes, tenta-se também buscar algo nos textos dos antigos filósofos, mas ainda não se consegue criar referências diretas que pudessem se relacionar ao assunto. Então, voltamos ao básico e ao que tinha mais próximo — os textos considerados como tratados míticos em vez de verdadeiros mapas da cosmogonia universal.

A doutrina codificada, em 1857, pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec, nos aponta informações bastante ricas e interessantes sobre o tema da origem do homem no cosmos, mesmo que também pareça, a princípio, trazer algumas incertezas em vários aspectos. Isso por conta de uma filosofia estritamente moral, que afirma que não podemos ter acesso a conhecimentos que, supostamente, não poderíamos ainda compreender.

Assim, encontramos a seguinte afirmação, na questão 188, proferida por quem Kardec denomina de Espírito da Verdade na obra O Livro dos Espíritos, publicada há mais de 150 anos, quando Kardec lhe pergunta se os espíritos puros habitam mundos especiais ou se esses se acham no espaço, sem estarem ligados a algum mundo: “Habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra. Podem, melhor do que os outros, estar em toda parte”.

À primeira vista, nem a pergunta e nem a resposta, tiradas do capítulo IV, intitulado Da Pluralidade das Existências, Encarnação nos Diferentes Mundos, parecem servir para o nosso propósito, pois, a princípio, não indicam origem alguma. Porém, vamos dar uma olhada, com muito cuidado, na nota do professor Kardec sobre a questão de número 188. Diz ele que, “segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter superior de muitos, a todos os respeitos”. E continua: “O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos espíritos superiores, os quais de lá irradiam seus pensamentos para os outros mundos, que dirigem por intermédio de espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes por meio do fluído universal”.

Eletricidade

E ainda há mais nas notas explicativas. Kardec segue dizendo que, “considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis estariam em situação análoga. O volume de cada um e a distância a que esteja do Sol nenhuma relação necessária guardam com o grau do seu adiantamento, pois que, do contrário, Vênus deveria ser tido como mais adiantado do que a Terra e Saturno menos do que Júpiter. Muitos espíritos que na Terra animaram personalidades conhecidas, disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e causa espanto que, nesse globo tão adiantado, estivessem homens a que a opinião geral aqui não atribuía tanta elevação”.

Outro aspecto destacado por Kardec em suas notas é o da longevidade. Sobre isso, ele nos explica que “as condições de longevidade não são, tampouco, em qualquer parte, as mesmas que na Terra, e as idades não se podem comparar. Um espírito que desencarnara havia alguns anos disse que, desde seis meses antes, estava encarnado em um mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogado sobre a idade que tinha nesse mundo, disse: ‘Não posso avaliá-la, porque não contamos o tempo como contais. Depois, os modos de existência não são idênticos. Nós lá nos desenvolvemos muito mais rapidamente. Entretanto, se bem que haja mais de seis dos vossos meses que lá estou, posso dizer que, quanto à inteligência, tenho 30 anos da idade que tive na Terra’”.

Os sumérios, povo contemporâneo ao personagem Gilgamesh, acreditavam em uma vida ou existência pós-morte. Então, por que a busca pela longevidade corpórea, ou físico-biológica, daquele personagem central da epopeia? Como se vê, tudo se encaixa

Busca pela longevidade corpórea

Sob risco de nos adiantarmos e pularmos algumas considerações, devemos dizer que a citação anterior trata de dois pontos importantes, que são a questão da evolução física e corpórea — que talvez tenha relação com a gravitação, rotação etc de um determinado planeta — e também a da longevidade da vida, em detrimento da existência em um planeta. E, ambos os pontos, guardam relação direta com espíritos encarnados. Porque, segundo Kardec, espíritos evoluídos estariam livres de uma encarnação corpórea, ou física, que seja. Questões como a da longevidade da vida física, conforme as condições em um planeta, são também relembradas nos livros de Sitchin, porém sob um prisma biológico, como meta para se tentar compreender as idades de alguns personagens bíblicos retratados no Antigo Testamento, como, por exemplo, Noé, Matusalém e Enoch.

A busca pela imortalidade de um personagem fantástico chamado Gilgamesh, citado na obra Gênesis Revisitado [Best Seller, 1990], escrito por Sitchin, é o centro das atenções de um épico que data de 4.000 anos antes da Era Cristã, bem antes de a Bíblia ter sido sequer compilada, portanto. Embora nos pareça bem claro que no mundo invisível se conte o tempo de outro modo e por questões de influências diversas, fica claro na citação de Kardec que há outros mundos habitados tanto por desencarnados quanto por encarnados. E que, no caso de encarnados, a questão de longevidade varia bastante, dependendo do planeta habitado. A afirmação de Kardec está, por incrível que possa parecer, em perfeita conformidade com a teoria de Darwin sobre a seleção natural das espécies.

Se não, vejamos. Como dito, os sumérios, povo contemporâneo ao tal personagem Gilgamesh, acreditavam em uma vida ou existência pós-morte. Então, por que a busca pela longevidade corpórea, ou físico-biológica, daquele personagem central da epopeia?

Segundoo épico, Gilgamesh sai em busca da vida eterna e a tenta descobrir por meio de um personagem já então considerado imortal, sobrevivente de um dilúvio, de nome Unapashtim — se pudermos fazer uma relação direta, ele seria ninguém menos do que o nosso Noé bíblico.

Segundo o livro apócrifo Narração do Dilúvio da Epopeia de Gilgamesh, um relato babilônico, “Gilgamesh fez uma longa e difícil viagem para aprender de Unapashtim como este veio a adquirir a vida eterna”. Noé, ou Unapashtim, responde para Gilgamesh, em tradução livre, que “a vida eterna que você busca nunca poderá ser encontrada. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse”. Ou seja, o que percebemos, segundo a Epopeia de Gilgamesh, é que houve alguma espécie de manipulação, talvez em nível do genoma, quando da criação do homem pelos deuses, para que esse tivesse uma vida corpórea curta. Diferentemente do que ocorreria no planeta natal dos deuses.

Também percebemos que, no mito sumério, Unapashtim ou Noé, se refere a “deuses” quando cita a criação do homem. E nós precisamos registrar isso, pois iremos usar essa informação mais adiante, nas próximas partes deste artigo. Não podemos fugir muito do tema central de nossa tese, mas teria Deus, em um momento da recriação da história humana, separado o espírito do corpo, no que antes poderia ter sido algo único ou teria sido exatamente o contrário? Deus resolvera “engarrafar” espíritos, antes livres, em um novo físico, como em um frasco, com vida útil de aproximadamente 120 anos, como descrito no Antigo Testamento? O fato é que a longevidade da vida humana está realmente relacionada às condições da biodiversidade de um determinado planeta. E esse fato irá nos ajudar a provar que Deus realmente criou o homem, e não o contrário.

Os exilados da Capela

Seguindo com nossa pesquisa no campo da espiritualidade especificamente, achamos outro livro a respeito, bastante intrigante, cujo conteúdo também traz alguma luz sobre o tema. A obra Os Exilados da Capela [Lake, 1949], escrita por Edgard Armond, nos lembra que “a Constelação do Cocheiro é formada por um grupo de estrelas de várias ordens, entre as quais se inclui Capela, de primeira grandeza, que, por isso mesmo, é o astro alfa daquela constelação. Capela é uma estrela inúmeras vezes maior do que o nosso Sol, e se este fosse colocado em seu lugar, mal seria percebido por nós, à vista desarmada”. Capela é vista da Terra a cerca de 45 anos-luz, distância que, em quilômetros, equivale ao número 4.257 seguido de 11 zeros.

Continua a obra magistral de Armond: “Na abóbada celeste, Capela está situada no hemisfério boreal, limitada pelas constelações da Girafa, Perseus e Lince. E quanto ao Zodíaco, sua posição é entre Gemini e Touro. Conhecida desde a mais remota Antiguidade, Capela é uma estrela gasosa, segundo afirma o célebre astrônomo e físico inglês Arthur Stanley Eddington, e de matéria tão fluídica que sua densidade pode ser confundida com a do ar que respiramos. Sua cor é amarela, o que demonstra ser um sol em plena juventude — e como um sol, deve ser habitado por uma humanidade bastante evoluída”.

No restante da obra, Armond refaz toda a trajetória, desde a lenta evolução da espécie Homo até a criação de uma nova espécie — que podemos afirmar ser descende do Adão bíblico — e a chegada do que o autor do livro chama de “capelinos” ao nosso atual planeta Terra. O livro também traz uma explicação sobre Capela, dizendo que, além de habitada por uma humanidade bastante evoluída, há lá “...outra categoria, composta de seres ainda mais evoluídos e dominantes, que constituíram as levas exiladas da Capela, o belo orbe da Constelação do Cocheiro a que já nos referimos, além dos inumeráveis sistemas planetários que formam a portentosa, inconcebível e infinita criação universal”.

É apropriado o termo “criação universal” porque nos faz lembrar de Deus. Algumas pessoas acham que a ciência ou mesmo o misticismo podem Dele nos afastar. Como se a nossa inteligência, quando nos voltamos para o impensável e o improvável, beirasse o esoterismo ateu. Como se, por exemplo, acreditar em buracos negros não pudesse mais garantir a prova da existência de mecanismos universais tão intrigantes. O livro Os Exilados da Capela afirma que houve uma escolha, ou decisão, que recaiu sobre os habitantes de um dos orbes de Capela, os tais capelinos. A decisão, segundo consta, foi baseada em uma questão moral — e aí os habitantes daquele orbe foram obrigados a exilar-se para outras regiões do cosmo celestial.

Descobertas arqueológicas

Os livros A Escada Para o Céu [Best Seller, 1980], A Guerra de Deuses e Homens [Best Seller, 1985] e Os Reinos Perdidos [Best Seller, 1990], todos de Zecharia Sitchin, nos trazem informações sobre o conhecimento que nos foi transmitido pelo povo que viveu na antiga Suméria ou Mesopotâmia, atual Iraque, há cerca de 6.000 anos. Segundo as obras de Sitchin, “nas ruínas das cidades sumérias escavadas pelos arqueólogos, há mais de 150 anos, foram encontradas centenas, senão milhares, de textos e ilustrações sobre astronomia. Entre eles existem listas de estrelas e constelações em suas corretas posições no céu, além de manuais para observar o nascer e o ocaso de estrelas e planetas. Também existem textos específicos sobre o Sistema Solar”.

Algumas dessas tábuas de argila desenterradas apresentam a lista dos planetas que circulavam a volta do Sol na ordem correta — uma delas chega a dar as distâncias interplanetárias. Sitchin continua: “E existem desenhos em selos cilíndricos, representando o Sistema Solar, que têm pelo menos 4.500 anos de idade e que agora estão conservados na seção do Oriente Próximo do Museu de Berlim, catalogados sob o número VA 243. Em um dos desenhos, vemos um completo Sistema Solar em que o Sol está no centro, e não a Terra, orbitado pelos planetas que hoje conhecemos”.

Onde se cruzam as teorias espíritas e científicas quanto às nossas origens?

Já se sabe que os exoplanetas existem aos bilhões no universo, e boa parte deles pode conter vida (Crédito da imagem: JPL)

 

Ainda segundo a minuciosa tradução realizada por Sitchin e publicada em seus livros, “os textos sumérios declaram repetidas vezes que os anunnaki saíram de um planeta para virem à Terra. O termo anunnaki significa, literalmente, ‘os que vieram do céu à Terra’. São citados na Bíblia como anakim e, no capítulo 6 do Gênesis, também são chamados de nefilim, que em hebreu significa a mesma coisa: ‘os que desceram do céu à Terra’”.

A caminho da luz

A ideia de exílio é estudada nos livros de Sitchin, que cita, entre outras lendas sumérias e egípcias, o mito angelical hebraico. Mais interessante, porém, foi descobrir que, além de propor algo muito próximo ao conhecimento do povo sumério, o livro Os Exilados da Capela era, na verdade, uma compilação de ideias já publicadas em outro caderno escrito décadas antes. Ou seja, a obra de Armond não trazia a ideia original do êxodo de espíritos que vieram dos céus a Terra, embora a tentasse completar de modo mais holístico. Na verdade, Os Exilados da Capela foi escrito com base em outra obra, ainda mais intrigante, e mais antiga do que aquelas escritas por Sitchin.

A obra A Caminho da Luz [Federação Espírita Brasileira, 1939] foi escrita precisamente entre 17 de agosto e 21 de setembro de 1938 por Francisco Cândido Xavier. A ideia original de que parte da nossa origem humana seria oriunda de outra região do cosmo infinito, mais precisamente de Capela, foi supostamente ditada, naquele período de apenas um mês, por um guia espiritual de nome Emmanuel ao médium mineiro conhecido como Chico Xavier.

Assim sendo, Emmanuel, considerado pelos espíritas como um guia de superior hierarquia, inicia a sua narrativa desse impressionante acontecimento dizendo que “nos mapas zodiacais, que os astrônomos terrestres consultam em seus estudos, observa-se desenhada uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros que nos são mais vizinhos, ela, na sua trajetória pelo infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do ilimitado — a sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta”.

Nessa excelente obra escrita pelo eminente Chico Xavier, especificamente no capítulo III, Emmanuel também nos afirma que “há muitos milênios, um dos orbes de Cocheiro, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e de virtudes. As grandes comunidades espirituais, diretoras do cosmos, deliberaram, então, enviar aquelas entidades pertinazes no crime à Terra longínqua”. “Grandes comunidades espirituais diretoras do cosmos”? Quem seriam? Se pudermos levar em conta as pesquisas de Sitchin, especialista em escrita cuneiforme, não precisaremos ir muito longe para encontrá-las. Elas estão, por incrível que possa parecer, todas citadas no Antigo Testamento — poderiam bem ser os anjos caídos da mitologia hebraica, com paralelos, também surpreendentes, na mitologia suméria.

Influência do Iluminismo francês

A história apresentada pelo suposto guia espiritual de Chico Xavier deixa muito claro de onde teríamos vindo: de um dos orbes de Capela. E é aqui que começa a nossa aventura. Embora se tenha consciência de que poderia faltar a Allan Kardec e Chico Xavier aquilo que a dialética chamaria de comprovação científica — algo que poucos, como Sitchin, atingem com maestria —, ainda assim não se pode deixar de registrar que deve-se guardar profundo respeito e admiração por figuras como essas. Tanto Kardec, que deve ter recebido muita influência do Iluminismo francês, quanto o brasileiro Xavier, são grandes livres pensadores. E admiramos muito as pessoas que são assim, livres de qualquer pensamento preso à matéria.

Mas como ignorar o que foi descrito em O Livro dos Médiuns, outra obra do cânone codificado pelo professor Kardec? Ali está que “os espíritos não são entidades à parte na Criação, mas as almas dos que vivem no planeta Terra ou em outros mundos, desprovidos do seu envoltório corporal. Disso se conclui que as almas dos homens são espíritos encarnados e, que ao morrermos, voltamos a nos tornar espíritos”.

Mas e que diz a ciência?

Poderíamos, para exercitarmos o livre arbítrio, até não acreditar na existência do espírito e, por consequência, na da espiritualidade humana. Mas, como os muitos que leem este artigo, não gostaríamos de passar por pessoas de mente fechada sem abertura para novas perspectivas. Considero que realmente precisamos verificar aspectos históricos e científicos que corroborem as ideias apresentadas por Kardec, por meio do que foi narrado pelos tais Espíritos da Verdade e por Chico Xavier, por meio do guia Emmanuel. Tudo isso posto, vamos dar uma olhada no que nos diz a ciência.

Quanto mais a ciência avança em seu futuro no tempo, mais o seu legado desvenda os mistérios do passado. Assim, a atual ciência prova que há muitos orbes que guardam afinidades com o globo terrestre no universo. No ano de 2011, por exemplo, foi descoberto um exoplaneta que possui atmosfera semelhante à da Terra. O mundo denominado HD 85512b é 3,6 vezes maior do que o nosso, gira ao redor da estrela laranja K5V e está localizado a 36 anos-luz de distância, na Constelação da Vela. Mas, segundo um cientista, cujo nome declino, mas que poderá ser encontrado facilmente por meio de uma pesquisa na internet, que discorda da Teoria de Capela. Segundo ele, “as componentes Aa e Ab de Capela, juntas, representam uma perigosa fonte de raios-X, cerca de 10.000 vezes maior do que o Sol. Trata-se de um mundo exposto a grandes emissões de raios-X, como ocorre com as estrelas de Capela, não têm como desenvolver qualquer forma de vida”.

Onde se cruzam as teorias espíritas e científicas quanto às nossas origens?

Por onde quer que se olhe em nosso passado nos depararemos com deuses provenientes do espaço, a exemplo dos anunnaki dos sumérios (Crédito da imagem: Encyclopedia Britannica)

 

Bem, se pensarmos em vida corpórea, como a nossa aqui na Terra, isso pode ser verdade. Mas, e quanto a outras formas de vida, como as espirituais, por exemplo, propostas pelo professor Kardec e por Chico Xavier, nos ensinamentos passados por Emmanuel?

Defato, as componentes Aa e Ab de Capela, juntas, podem representar uma perigosa fonte de raios-X, mas o que isto poderia significar para os seres, do nosso ponto de vista, evoluídos? Relembrando a resposta 188 do capítulo IV de O Livro dos Espíritos, Kardec nos traz que “o Sol não seria mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos espíritos superiores”.

Se Kardec estiver correto e o Sol não for um mundo habitado por seres corpóreos, mas sim incorpóreos, então isso indicaria que outros mundos, que não os sóis, seriam habitados por seres corpóreos? Pode parecer uma questão semântica, mas não é, porque a literatura kardecista não nos deixa rastro sobre o contrário.

Outraquestão que se pode levantar refere-se aos citados raios-X: não seriam eles considerados, pela ciência, como emissões eletromagnéticas de natureza semelhante à da luz visível? Isso nos leva de volta à questão 188 e às palavras do Espírito da Verdade, quando ele diz que, “considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis como que estariam em situação análoga”.

Acumulam-se as evidências

De qualquer modo, um cientista descrente discordaria disso em sua tese, concluindo que, “se um planeta como a Terra existisse a 150 milhões de quilômetros das duas gigantes amarelas, seria necessária uma atmosfera extremamente densa, o que também inviabilizaria a vida sobre sua superfície”. Faz sentido, mas, conforme já dito, de qual tipo de vida estamos tratando? E há que se notar que Emmanuel e Chico Xavier nunca disseram que os seres vieram de Capela, mas sim de um dos orbes de Capela. Ou seja, Emmanuel apenas indicou Capela como referência. Foi Armond quem usou o título Os Exilados da Capela, talvez por ser mais interessante de se ler do que Os Exilados da Constelação de Cocheiro.

Quem sabe o editor daquele livro não tenha percebido isso — talvez tivesse sido melhor, e tivesse ficado mais claro, se Armond cunhasse um termo mais apropriado. Aí, talvez, seu livro se chamasse, quem sabe, Espíritos Exilados de um dos Orbes da Constelação de Cocheiro. Mas não foi isso o que ele fez e não foi isso o que aconteceu. Então, infelizmente, o autor não conseguiu evitar equívocos de interpretação sobre a história, quando não deixou bem claro o que, de fato, viera de Capela, sejam seres encarnados ou desencarnados.

O livro deixa entender, em algumas entrelinhas, que o homem tenha vindo de Capela, como se tal origem fosse um exoplaneta e não um sistema de estrelas binárias. Isso fez com que alguns discordantes se aproveitassem da suposta confirmação e desmentissem a ideia contida no livro de Armond. E aí, infelizmente, surgiu a desmentida de alguns cientistas, os quais obviamente também devemos respeitar, de que não haveria a menor possibilidade de haver vida física ou corpórea, para usar um termo mais adequado aos espíritas, guardada em Capela.

Só vida física ou corpórea

O que causa espécie, no entanto, é que realmente, segundo os próprios cientistas, baseados na teoria dos chamados exoplanetas localizados nas zonas habitáveis, os sóis apenas permitem a vida. Mas sóis, segundo eles, não guardariam vida física ou corpórea. E Capela, como já afirmado, nunca fora um planeta e sim uma dupla de estrelas. Mas, sem desistir, e repetindo o que escrevera o professor Kardec, baseado em respostas do Espírito da Verdade: “Considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis como que estariam em situação análoga”.

E, segundo a ciência, as estrelas da mesma cor podem ser divididas entre luminosas gigantes e estrelas de baixa luminosidade ou anãs. Com isso, o nosso Sol e a estrela Capela teriam, de fato, a mesma classe espectral. Capela, porém, considerada gigante, é cerca de 100 vezes mais luminosa do que o Sol. Portanto, é confirmada pela ciência como sendo mais quente e com uma constituição massiva maior, de aproximadamente 2,7 vezes a massa do Sol. Sempre as comparando ao nosso astro central, cada uma dessas estrelas libera cerca de 78 vezes mais luz. Para fazer essa medição, foi estabelecido o Diagrama de Hertzsprung Russell. O Diagrama HR foi uma descoberta simultaneamente realizada entre em 1911 e 1913 pelo dinamarquês Ejnar Hertzsprung e pelo norte-americano Henry Norris Russell. Com tal descoberta científica, ficou estabelecida a relação existente entre a luminosidade de uma estrela e a sua temperatura superficial.

Capela é, portanto, uma estrela amarela gigante do tipo alfa, com magnitude de 0.08, o que faz dela uma das mais brilhantes do céu — ela é 150 vezes mais brilhante do que o Sol que aquece nossas praias, porém, com o mesmo tipo espectral, G. É considerada uma binária espectroscópica, formada por uma estrela do tipo espectral G5III e outra estrela, orbitando ao seu redor, do tipo espectral G0III. O período de rotação dessas estrelas é de 104 dias.

Bem, mas o que mais dizer sobre o assunto? A pesquisa sobre a origem de nossa história deve terminar por aqui, só porque os espíritos não podem ser vistos a olho nu ou com a ajuda de lunetas? Se realmente existem, onde estariam, então, os planetas de Capela?

 

CONTINUA NA PARTE II 

Crédito da Imagem principal: THE HAND

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